sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Práticas Integradas em Saúde - Tutoria III


Neste encontro, devido a alguns contratempos não pude estar presente, porém enviei a distância, ao grupo, uma contribuição acerca do território como segue:


Uma percepção acerca do Território Nossa Senhora das Graças

Como ilustração inicio com uma música do Arnaldo Antunes como segue:
  

Volte para o seu lar


Aqui nessa casa
Ninguém quer a sua boa educação
Nos dias que tem comida
Comemos comida com a mão
E quando a polícia, a doença, a distância, ou alguma discussão
Nos separam de um irmão
Sentimos que nunca acaba
De caber mais dor no coração
Mas não choramos à toa
Não choramos à toa 
Aqui nessa tribo
Ninguém quer a sua catequização
Falamos a sua língua,
Mas não entendemos o seu sermão
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão
Mas não sorrimos à toa
Não sorrimos à toa 
Aqui nesse barco
Ninguém quer a sua orientação
Não temos perspectivas
Mas o vento nos dá a direção
A vida que vai à deriva
É a nossa condução
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa 
Volte para o seu lar
Volte para lá 
Volte para o seu lar
Volte para lá 

Arnaldo Antunes


Desde que chegamos ao território, observamos ávidamente tudo, condições de moradia, aspectos culturais e organizacionais da comunidade, etc., porém difícil era nomear quem era o observador e o observado, haja vista que os “olhares deles” eram tão especuladores quanto desconfiados, do tipo quem é essa gente? Ora cabe muito a música, uma vez que chegamos cheios de proselitismos acadêmicos, por vezes tão distantes daquela realidade. 
Outro ponto importantíssimo é o fato do enfraquecimento do controle social, quer seja por terem atingido, de uma certa forma, um certo  “welfare state”, quer por falta de lideranças com representatividade.
Quero, portanto, colocar em prática uma definição que encontrei sobre territorialização:

Para reconhecer seu território de responsabilidade para além da paisagem, não basta a equipe da unidade de saúde o olhar desarmado, que não ultrapassa a superfície dos fenômenos. Recomenda-se a aproximação com o olhar do antropólogo, que procura ativamente estranhar o que lhe é familiar e familiarizar-se com o que lhe é estranho” (CHIESA; KON, 2007 p. 313)

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