Neste
encontro, devido a alguns contratempos não pude estar presente, porém enviei a
distância, ao grupo, uma contribuição acerca do território como segue:
Uma percepção acerca do Território Nossa Senhora
das Graças
Como ilustração inicio com uma música do
Arnaldo Antunes como segue:
Volte
para o seu lar
Aqui nessa casa
Ninguém quer a sua boa educação
Nos dias que tem comida
Comemos comida com a mão
E quando a polícia, a doença, a
distância, ou alguma discussão
Nos separam de um irmão
Sentimos que nunca acaba
De caber mais dor no coração
Mas não choramos à toa
Não choramos à toa
Aqui nessa tribo
Ninguém quer a sua catequização
Falamos a sua língua,
Mas não entendemos o seu sermão
Nós rimos alto, bebemos e falamos
palavrão
Mas não sorrimos à toa
Não sorrimos à toa
Aqui nesse barco
Ninguém quer a sua orientação
Não temos perspectivas
Mas o vento nos dá a direção
A vida que vai à deriva
É a nossa condução
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa
Volte para o seu lar
Volte para lá
Volte para o seu lar
Volte para lá
Arnaldo Antunes
Desde que chegamos ao território, observamos ávidamente tudo,
condições de moradia, aspectos culturais e organizacionais da comunidade, etc.,
porém difícil era nomear quem era o observador e o observado, haja vista que os
“olhares deles” eram tão especuladores quanto desconfiados, do tipo quem é essa
gente? Ora cabe muito a música, uma vez que chegamos cheios de proselitismos
acadêmicos, por vezes tão distantes daquela realidade.
Outro ponto
importantíssimo é o fato do enfraquecimento do controle social, quer seja por
terem atingido, de uma certa forma, um certo
“welfare state”, quer por falta de lideranças com representatividade.
Quero, portanto, colocar em prática uma definição que
encontrei sobre territorialização:
“Para reconhecer seu território de responsabilidade para além da
paisagem, não basta a equipe da unidade de saúde o olhar desarmado, que não
ultrapassa a superfície dos fenômenos. Recomenda-se a aproximação com o olhar
do antropólogo, que procura ativamente estranhar o que lhe é familiar e
familiarizar-se com o que lhe é estranho” (CHIESA; KON, 2007 p. 313)
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