domingo, 8 de dezembro de 2013

Gestão Ambiental? Como Assim?



“A Árvore Era uma vez um grão de onde cresceu uma árvore, que foi abatida por um lenhador e cortada numa serração.Um marceneiro trabalhou-a e entregou-a a um vendedor de móveis. O móvel foi decorar um apartamento, e mais tarde deitaram-no fora. Foi apanhado por outras pessoas, que o venderam numa feira. O móvel estava lá no adeleiro, e então no adeleiro foi comprado barato e, finalmente houve quem o partisse para fazer lenha. O móvel transformou-se em chama, fumo e cinzas. Eu quero ter o direito de refletir sobre esta história, sobre o grão que se transforma em árvore que se torna móvel e acaba no fogo, sem ser lenhador, marceneiro, vendedor, que não veem senão um segmento da história.”

Edgar Morin





       A citação acima de Edgar Morin, nos desvela uma triste realidade, a falta de consciência com o meio ambiente, e forma com que ele é tratado, ou seja, algo que sempre está a disposição de todos, como se fosse uma grande dispensa.
A partir desta citação veremos como se dá a gestão ambiental ( ou não ). Em princípio temos que mudar a forma de relação com o meio ambiente. Comecemos pela expressão “recurso natural”, a qual deve ser abolida; uma vez que, se estamos interrompendo o processo natural que o meio ambiente tem, em si, de renovar-se, não temos, então, o “recurso natural” a disposição sempre, pois nossas intervenções neste processo, quer sejam pelo desmatamento, pela má gestão de resíduos sólidos, pelo desperdício, quer seja pelo formato de consumo, implicam de forma direta na não reposição dos tais recursos, haja vista ser este processo de renovação, cíclico.
A expressão “recurso natural” surgiu pela primeira vez na década 1970, por E.F. Schumacher no seu livro intitulado Small is Beautiful, e ao longo das últimas quatro décadas vem perdendo seu sentido, pois eram tidos como elementos da natureza que são úteis ao homem no processo de desenvolvimento da civilização, sobrevivência e conforto da sociedade em geral ( E. F. Schumacher/70 ). Não importa simplesmente classifica-los em renováveis, limitados, potencialmente renováveis ou não renováveis, uma vez que não há uma sensibilização real nas sociedades, a fim de impactá-las para uma gestão responsável destes recursos.
Não bastasse a falta de consciência individual e institucional privada, os gestores, em todas as esferas de governamentais, ainda não tem um olhar adequado e direcionado para o meio ambiente e seus correlacionamentos com a sociedade. Quando se fala em gestão ambiental é necessário que nosso discurso produza eco e impacto, principalmente no formato de consumo atual, pois há uma transformação e inversão no consumo dos bens, que num determinado momento eram de subsistência, ou seja,  para manutenção básica das necessidades diárias e em outro, na atualidade, torna-se um consumo voraz de coisas que não precisamos( por necessidade básica ), banalizando esta prática mercantil. Este consumismo vai muito além do ato de comprar  supérfluos, pois ele é excludente, extratificador e gerador de desigualdades sociais quase sem precedentes históricos. A sociedade de consumo impulsiona os indivíduos a comprarem mais e mais com pretextos de aceitação e inclusão nos mais diversos grupos sociais. Para suprir esta demanda crescente de consumo, a indústria investe cada vez mais em tecnologias para produção de produtos em massa, ou posso dizer de massa, pois o objetivo dela é vender o máximo possível, e estes produtos tem, quase que obrigatoriamente, que terem seus prazos de validade breves, a fim de que a sociedade tenha a necessidade de substituí-los com brevidade. Para que seja produzido um volume tão alto de produtos (des)necessários à população, estamos todos pagando um altíssimo preço, pois estão sendo devastadas áreas enormes de floresta, águas, ar e solo.  Os tais “recursos naturais” renováveis  estão sendo explorados à exaustão. Diante deste cenário surge um conjunto de possibilidades de mudança e entre elas figura de forma “avant garde” o consumo sustentável, ele é a grande diferença entre consumir de forma supérflua e consumir de forma consciente, esta consciência transita pelo ato do cidadão consumir, pela forma que o produto foi manufaturado, pela extração da matéria prima, pela veiculação na mídia, ou seja, estão todos inseridos neste processo, os agentes diretos e indiretos.
Quero, portanto, voltar a citação de Edgar Morin a fim de lembrar que gestão ambiental é, obrigatoriamente, a relação que se faz com o meio ambiente. Desde a semeadura até a colheita, do manejo e respeito com o meio e suas espécies até a forma de consumir. A partir desta relação entre consumo consciente ou sustentável e cidadania, obtém-se um agente vital, a sociedade civil. Este ator é o responsável pela mudança, pois dele emana a necessidade de transformações, quer seja manifestando seus anseios nas ruas, quer seja pressionando instituições governamentais ou privadas. Acredito que a participação social além de um direito, é um dever de cada cidadão. Percebemos que ao longo da história,  esta participação foi sendo “aprimorada” e “ sistematizada” afim de que realmente fosse existente.

 Talvez  mude a lógica do lenhador abater árvores para obter, no final do processo, como objeto final o simples calor do fogo.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

TDAH ou a medicalização do futuro?


TDAH ou a medicalização do futuro?




Indicado como primeira escolha no tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o metilfenidato é o princípio ativo da Ritalina e do Concerta, nomes comerciais destes medicamentos. O metilfenidato é um estimulante do sistema nervoso central, amplamente utilizado como instrumento de melhoria do desempenho cognitivo de crianças e adolescentes, sendo comumente chamado de “droga da obediência”.
No Brasil, o metilfenidato foi aprovado em 1998 para o tratamento do TDAH em crianças a partir de seis anos de idade e também  no tratamento da narcolepsia em adultos.
Há meses atrás houve um desabastecimento de Metilfenidato nas farmácias brasileiras, durante o período escolar, não foi surpresa o alvoroço, para não dizer desespero, causado não nas crianças e adolescentes, mas nos pais.
Lembro-me da época de criança quando subíamos em árvores, brincávamos de pega-pega, jogávamos futebol na rua, tomávamos banho de chuva descalços, jogávamos pião e por aí vai... estou falando de mais ou menos uns 30 ou 40 anos atrás, é fato que haviam adversidades, quer financeiras em virtude do sobe e desce da balança econômica nacional, quer por eventos adversos de saúde.
Conquistamos um patamar financeiro invejável a muitos países, melhoramos as taxas de morbimortalidade infantil, diminuímos a taxa de desnutrição na primeira infância, temos o menor número absoluto de pessoas na faixa de probreza. Não obstante as melhorias alcançadas, em muitos casos, perdemos o contato real com nossas crianças, perdemos gradativamente a capacidade de ver e ouvi-las, normalmente entregamos nossas crianças aos cuidados de outros desde a tenra idade, pois no período posterior a licença maternidade, por questões óbvias, o bebê é entregue à “escolinha”, depois num turno “escolinha” e noutro escola de educação infantil e assim vais até o ensino médio. Portanto o tempo dispensado aos filhos é cada dia menor, pois há uma colisão de horários, quando os filhos tem algum tempo ocioso os pais estão trabalhando ou estudando e ao que parece o tempo comum é o do sono, quando todos estão dormindo na mesma casa. Não há, portanto,  tempo para acampar, pescar, atividade física ou simplesmente irem juntos ao cinema, teatro.
Diante desta situação algumas crianças e adolescentes tornaram-se mais agitadas, menos obedientes, mais impetuosas, parece que ávidas de algo. Neste momento, para a salvação dos pais, surge a droga mágica e milagrosa chamada Metilfenidato, ela não subirá em árvores, não tomará banho de chuva, não se arriscará, não será impetuosa nem desobediente, mas sim será medianamente tranqüila, dentro dos padrões médios de aceitação, porém veja alguns riscos como segue:
“A Agência Européia de Medicamentos (EMA), através do Comittee for Medicinal Products for Human Use reavaliou em 2009 a relação do uso do metilfenidato com o aumento de riscos cardiovasculares  e cerebrovasculares, além de transtornos psiquiátricos e recomendou aos médicos maiores cuidados no diagnóstico dos pacientes e nos tratamentos de longa duração. O relatório final destacou que o tratamento não está indicado para todas as crianças com diagnóstico de TDAH e a decisão para uso do medicamento deve ser baseada em cuidadosa avaliação da gravidade e cronicidade dos sintomas da criança em relação à sua idade.
Aqui no Brasil, o Centro de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo avaliou 553 notificações de suspeitas de reações adversas associadas ao uso do metilfenidato, recebidas no período de dezembro de 2004 a junho de 2013 e a análise das causas  destes relatos indicou:
a) O uso indevido de metilfenidato em crianças menores de 06 anos: faixa etária para a qual o uso está expressamente contraindicado em bula. As reações adversas relatadas incluíram sonolência, lentidão de movimentos e atraso no desenvolvimento.
b) Em 11% dos relatos analisados observou-se a prescrição para indicações não aprovadas pela Anvisa, como depressão, ansiedade, autismo infantil, ideação suicida entre outras condições.
c) Associação entre o uso do medicamento e o aparecimento de reações adversas graves, com destaque para os eventos cardiovasculares (37,8%) como taquicardia e hipertensão, transtornos psiquiátricos (36%) como depressão, psicose e dependência, além de distúrbios do sistema neurológico como discinesia, espasmos e contrações musculares involuntárias.
d) Na faixa etária de 14 a 64 anos os eventos graves envolveram acidente vascular encefálico, instabilidade emocional, depressão, pânico, hemiplegia, espasmos, psicose e tentativa de suicídio.
e) O uso do metilfenidato pode ter contribuído para o óbito de cinco pacientes em tratamento, considerando-se que o medicamento pode causar ou agravar distúrbios psiquiátricos como depressão e ideação suicida.
f) Uso em idosos maiores de 70 anos: embora a bula dos medicamentos com metilfenidato aprovada no Brasil não faça referência ao uso nessa faixa etária, as agências reguladoras internacionais não recomendam sua prescrição em maiores de 65 anos.

Alem dos efeitos citados acima, é comum a perda do apetite, a insônia, aumento da agitação, dores abdominais, perda de peso e diminuição da estatura em crianças que fazem uso deste medicamento.”
Meu questionamento TDAH ou a medicalização do futuro é em virtude de que talvez estejamos “podando” a capacidade inventiva e inovadora destas crianças, tirando delas as possibilidades de experimentarem-se e criarem novos saberes, a partir de suas vivências. Não é possível tornar uma geração inteira em pessoas “obedientes” aos anseios da sociedade moderna. Acredito estejamos inseridos num tempo realmente diferente ao de 30/40 anos atrás, haja vista a própria globalização. Nossas crianças tem uma chuva de informação diariamente, porém se faz necessário a justa medida, onde o mediador é a orientação familiar, caso contrário estaremos criando uma situação paradoxal, pois de uma lado estaremos minimizando transtornos de atenção, “acalmando” crianças, porém por outro estaremos fragilizando as possibilidades de futuro, como afirma a Dra. Maria Aparecida  Moysés, em entrevista ao Portal Unicamp em 05/08/2013.
“Segundo entrevista concedida ao Portal Unicamp pela especialista no assunto, Dra Maria Aparecida A Moysés, pediatra e professora titular do departamento de pediatria da Unicamp, o uso de metilfenidato pode causar dependência química, e é classificado como um narcótico pela Drug Enforcement Administration. Segundo ela, os riscos descritos acima seriam suficientes para não indicar esta substância no tratamento da TDAH.

Um enfoque interessante dado pela pediatra é que o uso de metilfenidato em crianças hiperativas que são muito questionadoras, estaria levando a um comprometimento da capacidade de desenvolvimento da humanidade, uma vez que são elas,  através de seu modo de ser questionador, com seus sonhos e utopias que vão gerar adultos capazes de impulsionar  a busca por um mundo melhor”

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

BRASIL É 19º EM TOTAL DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE NA AMÉRICA

Com 31,4 mil profissionais na área o Brasil está atrás de Cuba, Dos Estados Unidos, da Venezuela e do Paraguai














O Brasil tem 31,4 mil profissionais da saúde por 10 mil habitantes, aquém do parâmetro de 34,5/10 mil estipulado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para que um país possa ser considerado prestador de assistência global na área. A informação consta do relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a carência de profissionais intitulado Não há saúde sem força de trabalho, divulgado nesta segunda-feira (11/11), no III Fórum Global de Recursos Humanos para a Saúde, no Centro de Convenções do Recife, com a participação de 85 países.

O Brasil está atrás de Cuba (134,6), dos Estados Unidos (125,1), da Venezuela (67,4) e do Paraguai (34,4) e à frente do México (26,5), da Colômbia (19,7) e do Haiti (3,6). Ocupa a décima nona posição entre os países das Américas. O mínimo recomendado pela OMS é de 22,8 mil profissionais por 10 mil habitantes. Mais de 80 países estão abaixo desse patamar, a maioria deles da África Subsaariana, de acordo com o relatório, enquanto 70% dos países das Américas têm número suficiente de profissionais da saúde - médicos, enfermeiras e parteiras -, mas estes estão mal distribuídos nos territórios e não atendem toda a população.

Segundo a assistente-geral da OMS em Genebra, Marie-Paule Kieny, o déficit de profissionais da saúde no mundo poderá chegar a 12,9 até 2035 se os governos de todo o planeta nada fizerem em relação ao assunto. "Hoje, este déficit é de 7,2 milhões", alertou. O documento, conforme Marie-Paule, traz diretrizes para que o mundo possa se organizar e fazer frente a esse desafio. "Uma das políticas recomendadas é a de procurar reter os profissionais na saúde básica primária", observou.


Ambiguidade

"Estamos na faixa intermediária, avançamos nos últimos anos, mas ainda temos muito o que fazer para trabalhar com critérios de acessibilidade e qualidade", reconheceu o secretário de Gestão na Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales. "Temos a compreensão de que vivemos uma situação de ambiguidade com profissionais com alta especialização em grandes centros e grande parte do território brasileiro, como a Amazônia e o Semiárido, com ausência de profissionais."

Sales assegurou que o Programa Mais Médicos ajudará a avançar na redução dessa desigualdade e melhorar o acesso da população aos serviços médicos. O diretor do Banco Mundial (Bird) Tim Evans disse que a instituição financeira tem como objetivo principal baixar a taxa de pobreza de 20% para 3% até 2030. "O setor de saúde é essencial para que este objetivo seja alcançado", destacou, ao afirmar quer a estratégia do Bird é que até 2030 ninguém venha a se tornar pobre por causa dos gastos com a saúde.

Fonte:
http://epocanegocios.globo.com/Informacao/Resultados/noticia/2013/11/brasil-e-19-em-total-de-profissionais-de-saude-na-america.html
Foto: Shutterstock

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Judicialização da Saúde


“Mesmo em se tratando de demandas legítimas de determinados grupos, há que se avaliar até que ponto a luta por interesses particulares específicos pode ou deve se sobrepor aos interesses coletivos da grande maioria da população”

Boaventura de Souza Santos(2010)


 O direito à saúde é garantido constitucionalmente a todos os cidadãos brasileiros, também é dever do gestor do Sistema Único de Saúde assegurar à população medicamentos seguros, eficazes e de qualidade, ao menor custo possível (BRASIL, 1998). Por um lado temos lacunas deixadas pelas políticas públicas muitas vezes inexistentes ou insuficientes que fazem com que a população, muitas vezes, busque, na judicialização, uma alternativa para a concretização de seu tratamento, por outro lado a indústria farmacêutica investindo percentuais cada vez maiores em campanhas publicitárias que até pouco tempo atrás  destinavam-se a impactar  médicos, uma vez que somente eles prescreviam o uso dos medicamentos, atualmente o marketing da indústria farmacêutica também tem na população leiga influência direta. Paradoxalmente, o que poderia ser sinal de conscientização e de ampliação de cidadania – a busca da Justiça para o acesso a medicamentos, como parte da garantia do direito à saúde-, tornou-se um problema de saúde pública (página 318).

Para Gadelha, qualquer tipo de incorporação automática é penalizar o cidadão. “Hoje definimos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas de como a pessoa deve ser tratada no SUS, não podemos incorporar sem conhecer o medicamento”. Se estas ações vão diminuir o número de processos? Gadelha diz acreditar que sim. “Não estamos inventando nada. Seguimos um sistema onde a saúde é universal de direito,mas que precisa de parâmetros.” (Brasil Econômico, 10/5)



Diante do fato das secretárias de saúde, tanto estaduais, quanto municipais planejarem um teto financeiro para atender as demandas sociais por medicamentos, nos mais diversos segmentos, HAS, Diabetes... é sabido que cada vez que um medicamento judicializado é concedido, o seu valor está contabilizado no montante do teto financeiro. Questiono, portanto, qual a responsabilidade e quanto de conhecimento médico/técnico o judiciário tem a fim de julgar estas demandas?


Fontes:
Ligações perigosas: indústria farmacêutica, associações de pacientes e as batalhas judiciais por acesso a medicamentos - SOARES, Jussara Calmon Reis de Souza – DEPRÁ, Aline Scaramussa – Physis Revista de Saúde Coletiva – Pag 311-329 – Rio de Janeiro – 2012

domingo, 10 de novembro de 2013

Resíduos Sólidos



Política Nacional de Resíduos Sólidos
Relação entre a PNRS e atualidade

Claiton Santos



“Assim, o encaminhamento do anteprojeto de lei reflete a demanda da sociedade que pressiona por mudanças motivadas pelos elevados custos sócio-econômicos e ambientais. Devemos considerar que na busca da solução para estes problemas, foi fundamental considerar a adoção do conceito dos 3Rs - Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Pois, se manejados adequadamente, os resíduos sólidos adquirem valor comercial e podem ser utilizados em forma de novas matérias-primas ou novos insumos. Assim sendo, poderão ser incorporados novamente nas cadeias produtivas, de forma sucessiva e sistêmica.
A implantação da lei proposta trará reflexos positivos no âmbito social, ambiental e econômico, pois não só tende a diminuir o consumo dos recursos naturais, como proporciona a abertura de novos mercados, gera trabalho, emprego e renda, conduz à inclusão social e diminui os impactos ambientais provocados pela disposição inadequada dos resíduos. Sendo assim, estaremos inserindo o desenvolvimento sustentável no manejo de resíduos sólidos do país”
SILVA, Marina - PL/PNRS - página 17 -  2007



O anseio pela implementação de uma Política Nacional de Residuos Sólidos tramitava há cerca de 21 anos  no Congresso Nacional, quando em agosto de 2009, o então presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou, a lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Esta lei faz a distinção entre resíduo e rejeito, além de se referir a todo tipo de resíduo: doméstico, industrial, da construção civil, eletroeletrônico, lâmpadas de vapores mercuriais, agrosilvopastoril, da área de saúde e perigosos.
Inicialmente necessário se faz diferenciar, quanto à finalidade, o que é resíduo de rejeito, haja vista que a partir de suas especificidades se estabelecem os destinos.
Resíduos sólidos: resíduos no estado sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem urbana, industrial, de serviços de saúde, rural, especial ou diferenciada; resíduos sólidos reversos: resíduos sólidos restituíveis, por meio da logística reversa, visando o seu tratamento e reaproveitamento em novos produtos, na forma de insumos, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos; e rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos acessíveis e disponíveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada.(PNRS, página 5).
Antes da PNRS, no Brasil, milhares de toneladas de lixo eram depositadas em lugares impróprios, como lixões a céu aberto, que, por si só, causam problemas sociais, ambientais, econômicos e de saúde pública; a PNRS além de propor destino adequado à resíduos e rejeitos, tem no seu âmbito, assim como menciona a então Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva em 2007, a PNRS traz inclusão social e guinda o desenvolvimento sustentável a um patamar mais elevado. Outro ponto relevante que a PNRS trás é o tempo limite para a extinção dos lixões, o qual se dará em 2014, sendo necessária a adequação deles aos moldes estabelecidos pela PNRS. Quanto a origem os resíduos sólidos são classificados em: Resíduos Sólidos Urbanos, Resíduos Sólidos Industriais, Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, Resíduos Sólidos Rurais e Resíduos Sólidos Especiais ou Diferenciados; pontuo neste momento o terceiro seguimento citado, os RSS.

“Os resíduos sólidos de serviços de saúde, dentro desta dimensão maior, constituem um desafio com interfaces, uma vez que, além das questões ambientais inerentes a qualquer tipo de resíduo, os RSS incorporam uma preocupação maior no que tange ao controle de infecções nos ambientes prestadores de serviços nos aspectos da saúde individual/ocupacional e à saúde pública.” (SCHNEIDER, 2001, p. 2).

Conforme o artigo EDUCAÇÃO AMBIENTAL X SUSTENTABILIDADE: PROPOSTA DE UM PLANO DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE de Maristela Povaluk de junho de 2012, há um dissenso entre os órgãos nacionais de normatização e os de legalização. Enquanto a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), com a sua NBR 12.808/93, classifica os resíduos em três grupos. O CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), por meio das resoluções 5/93 e 283/01, classificam em quatro grupos. Há também a RDC 306/2004 da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que regulariza o Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde. Abaixo relaciono os cinco grupos (categorias) estabelecidas pela ANVISA:

·         “Grupo A (potencialmente infectantes)- que tenham presença de agentes biológicos que apresentem risco de infecção, como bolsas de sangue contaminado;

·         Grupo B (químicos)- que contenham substâncias químicas capazes de causar risco à saúde ou ao meio ambiente, independente de suas características inflamáveis, de corrosividade, reatividade e toxicidade. Por exemplo, medicamentos para tratamento de câncer, reagentes para laboratório e substâncias para revelação de filmes de Raio-X;

·         Grupo C (rejeitos radioativos)- materiais que contenham radioatividade em carga acima do padrão e que não possam ser reutilizados, como exames de medicina nuclear;

·         Grupo D (resíduos comuns)- qualquer lixo que não tenha sido contaminado ou possa provocar acidentes, como gesso, luvas, gazes, materiais passíveis de reciclagem e papéis;

·         Grupo E (perfurocortantes)- objetos e instrumentos que possam furar ou cortar, como lâminas, bisturis, agulhas e ampolas de vidro.”

A partir desta classificação, e se adotada por todos os serviços de saúde, a separação dos RSS traz segurança aos envolvidos no processo, desde a origem até o destino, também não se pode descartar que um paciente internado produz quase 7 kg de resíduo hospitalar por dia. Levando em consideração o número de pacientes em um hospital regular e o número de dias que esses pacientes ficam internados, o volume de resíduo cresce muito. Considerando o resíduo não hospitalar gerado por profissionais de assistência à saúde, visitantes e outras pessoas no hospital, fica evidente que a questão do gerenciamento do resíduo é importante para qualquer hospital ou outro serviço de saúde (Lippincott Williams & Wilkins, 2003, p. 542–574). Atualmente, com a prática neoliberalista de abertura de mercados, vem crescendo as terceirizações de serviços, nos mais diversos seguimentos, não é diferente nos serviços de saúde. As terceirizações dos serviços de higienização, por exemplo, é uma fato relevante, pois temos de um lado uma instituição que necessita reduzir custo e operacionalizar uma demanda, por outro lado temos uma instituição prestadora de serviços de higienização, porém há uma lacuna, quase abissal, entre estes dois lados, o trabalhador da terceirizada, que recebe baixos salários, não é capacitado o suficiente para o desempenho da função e nem sempre tem à disposição os EPI´s necessários, são estes os trabalhadores que em muitos casos estão vulneráveis aos mais variados patógenos, e/ou considerando resíduos que são do grupo D como A, inviabilizando a reciclagem, não obstante as dificuldades de capacitação executam seu trabalho, a partir da informação que detém. Importante salientar que estas falhas no processo são cometidas por alguns trabalhadores, mas há falhas de processo de impacto ambiental, quase infinitamente maiores, que são cometidas pelos gestores, quer sejam institucionais, quer governamentais, exemplo disto foi o fato em 2012 da matéria sob o título Lixo Hospitalar de Porto Alegre - Segue o empurra-empurra, onde quatro hospitais de Porto Alegre descartaram quase doze toneladas de resíduos do grupo A, jalecos, seringas, bolsas de sangue e de soro alegando que eram recicláveis, houve também outro, também em 2012, caso em Itajaí, Santa Catarina onde a Receita Federal barra vinte toneladas de lixo de hotéis e hospitais, eles foram embarcados na Espanha, a carga deveria corresponder a tecidos atoalhados não padrão, 100% algodão, destinados à fabricação de pequenas toalhas de limpeza em cores diversas, contudo, o material importado era composto por produto acabado. Entre outros, havia toalhas de banho e uniformes, todos já utilizados e descartados como resíduo, em razão das péssimas condições que apresentavam (http://compromissoconsciente.blogspot.com.br).

Portanto, avalio que a PNRS é de vital relevância à sociedade, ao meio ambiente e principalmente às gerações futuras, porém não basta a criação e implementação da lei, é necessário criar mecanismos que impactem, positivamente, todos os cidadãos, haja vista que todos fazem parte, em algum momento, do processo de produção e descarte de resíduos.

domingo, 20 de outubro de 2013

Globalização e Saúde




Globalização e Saúde
Claiton Agnaldo Ribeiro Santos


“Vivemos num mundo confuso e confusamente percebido. Haveria nisto um paradoxo pedindo uma explicação? De um lado, é abusivamente mencionado o extraordinário progresso das ciências e das técnicas, das quais um dos frutos são os novos materiais artificiais que autorizam a precisão e a intencionalidade. De outro lado, há, também, referência obrigatória à aceleração contemporânea e todas as vertigens que cria, a começar pela própria velocidade. Todos esses, porém, são dados de um mundo físico fabricado pelo homem, cuja utilização, aliás, permite que o mundo se torne esse mundo confuso e confusamente percebido. Explicações mecanicistas são, todavia, insuficientes.
E a maneira como, sobre essa base material, se produz a história humana que é a verdadeira responsável pela criação da torre de babel em que vive a nossa era globalizada.”
SANTOS, Milton


No livro Globalização: As consequências humanas, do escritor e sociólogo polonês Zygmunt Bauman há um conceito de globalização como  a ordem do dia, algo que impacta a todos de maneira igual, sendo que para alguns é motivo real para felicidade, para outros um infortúnio. Porém, por trás deste processo irreversível há muito mais do que pode o olho ver. Há evidentemente uma polarização cultural, financeira e ideológica, ele cita por exemplo o processo paradoxal da globalização: “A globalização tanto divide como une; divide enquanto une” (BAUMAN, 1999, p. 8).Bauman, ainda menciona e compara a criação dos mapas(como uma espécie de batalha para reorganizar o espaço e de controle) pelos poderes modernos ao modelo Panóptico concebido por Michel Foucalt, em que o filósofo fala sobre a criação de um espaço artificial com o objetivo de monitorar os indivíduos e manipular as relações sociais e a relação de poder. Os observadores viviam no mesmo espaço do que os supervisionados, porém em situações opostas. “A visão do primeiro grupo não é obstruída, enquanto o segundo precisa agir num território de névoa, opaco” (BAUMAN, 1999, p. 41)
No artigo Globalização e saúde global de Giovanni Berlinguer, 1999, o escritor faz uma análise acerca desta relação entre a globalização e a questão dos cuidados de equidade e saúde e propõe um outro questionamento: “A verdadeira pergunta, por isso, não é se a multiplicação das relações internacionais e a maior independência são um bem ou um mal e se devem ser favorecidas ou cerceadas. A pergunta é outra: Qual a globalização, para que fins, em que rumo?”
Em resposta ele traz alguns apontamentos como por exemplo o entendimento de saúde com bem-estar individual, como interesse coletivo e como condição essencial de vida em liberdade. Outro exemplo que advém do processo da globalização, é o fato da unificação microbiana no mundo, ou seja é o livre trânsito de micro-organismos de um continente para outro, sem em nenhum momento considerar as diferentes condições de ambiente, de nutrição, de organização social e cultural, de presença ou ausência de vetores biológicos das doenças transmissíveis. Houve portanto, desigualdades epidemiológicas importantes entre o velho e o novo mundo, observando suas especificidades, cultura, e principalmente sua situação econômica.
Importante relembrar que o advento da globalização não é algo que aconteceu nas três últimas décadas do século XX, ele vem acontecendo desde o século XVI período em que houve os grandes descobrimentos e expansão das colônias europeias pela América, Ásia e África, era um momento de expansão econômica em busca de novos territórios e mercados, também de subjugação dos territórios conquistados. Não obstante as distâncias percorridas, os colonizadores levaram consigo, sua cultura, hábitos alimentares e de vestuário, religião e inclusive suas doenças.
No decorrer dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX houve um avanço cronológico da globalização, porém é no final do século XX que se estabelece um processo radical de globalização, com o final da “Guerra Fria” que culminou na queda do muro de Berlim (como marco), em 1988. Através deste ato simbólico foi decretado o encerramento de décadas de disputas econômicas, ideológicas e militares entre o bloco capitalista, comandado pelos Estados Unidos e o socialista liderado pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Paradoxalmente com o final da divisão do mundo, em dois territórios políticos, inicia-se um processo de abertura econômica mundial.
A partir do final dos anos 90, o processo que até então “respeitava” uma  cronologia histórica, de um certo ponto estável, demonstra um avanço até então nunca percebido, quer seja pelo avanço das comunicações, quer seja pelo novo modelo de transporte e logística. Há a privatização da economia e minimização do papel do estado, há mega fusões de grandes empresas dentro do próprio país e entre países, queda das barreiras comerciais protecionistas, há a internacionalização das economias e estabelece uma desigualdade social que fere o walfare state, uma vez que os países do dito primeiro mundo, submetem as economias dos países pobres ou em desenvolvimento, é uma prática algoz onde os países ricos entram com o machado sob o nome de tecnologia, estratégias mercadológicas, industrialização, know-how, e os países pobres com a cabeça sob o nome de commodities, empobrecimento da população, perda da capacidade de autonomia e crescimento. Segundo Paulo Marchiori Buss, em seu artigo Globalização, pobreza e saúde, “o processo de globalização atual está produzindo resultados desiguais entre os países e no interior dos mesmos. Está criando riquezas, mas são demasiados os países e as pessoas que não participam dos benefícios [...]. Muitos deles vivem no limbo da economia informal, sem direitos reconhecidos e em países pobres, que subsistem de forma precária e a margem da economia global. Mesmo nos países com bons resultados econômicos muitos trabalhadores e comunidades têm sido prejudicados pelo processo de globalização.”
Não obstante os avanços na medicina e cura para muitas doenças, o paradoxo estabelecido pela  globalização em relação à  saúde, é excludente e estratifica a população, pois ainda que a denominação generalista seja globalização ela está em si muito distante de sua proposição, haja visto a  exclusão de países pobres na aquisição de tecnologias para o desenvolvimento de antibióticos e vacinas, privatização dos serviços de saúde e seguridade social e a brusca redução de investimentos estatais nos programas de saúde.
Na atualidade vivenciamos intensos avanços referentes às descobertas científicas para a cura de diversas doenças, pois o advento da globalização trouxe esses avanços como reflexo positivo, uma vez que integra países, aproximam estudiosos e cientistas, impulsiona o desenvolvimento de equipamentos mais modernos para que sejam realizadas novas  descobertas, novos medicamentos e novo instrumental cirúrgico/diagnóstico. Em contrapartida a comercialização destes produtos, têm gerado lucros exorbitantes aos países detentores de capital e tecnologia, ou seja, países ricos, os quais investem parte do lucro obtido com a venda dos produtos oriundos de seus laboratórios em novas pesquisas, novos medicamentos, novos instrumentos...
Hoje percebe-se, na saúde, alguns exemplos que tornaram-se intrínsecos à globalização como simples vacinas que imunizam populações inteiras de doenças graves, a cura do câncer em fase inicial e até a expectativa da cura definitiva desta doença. Isto só tornou-se possível devido o advento da globalização, uma vez que as informações são transmitidas “in time” e que cientistas e pesquisadores mantém trocas de tecnologias entre seus países, porém não há como não mencionar o fato de que os detentores de patentes de medicamentos, ou seja, os grandes laboratórios estejam, casualmente concentrados nos países ricos, e os maiores compradores sejam os países pobres; ou ainda, os medicamentos, o tratamento e os diagnósticos de alta tecnologia estejam a disposição somente a quem pode pagar muito por eles.
Vejamos então, temos de um lado  indústrias farmacêuticas poderosas, indústrias detentoras de equipamentos diagnósticos de alta tecnologia, bancos e porque não as telecomunicações, situados na maioria das vezes na Europa e América do Norte, as quais desenvolvem e vendem seus produtos aos demais países, de outro lado temos um grupo de países pobres, em desenvolvimento, emergentes ou outra nomenclatura, caso haja. Esse comércio, como citei anteriormente, gera um trânsito financeiro absurdamente alto e tem parte dele revertido em novas pesquisas, e portanto novos produtos, entretanto somente que usufrui dos benefícios advindos das novas tecnologia, são geralmente as populações dos países ricos, ou ainda, quem puder pagar por elas no resto do mundo.
Segundo Jomo Sundaram, secretário-geral adjunto da ONU em citação no livro "Flat World, Big Gaps" (Um Mundo Plano, Grandes Disparidades, em tradução livre), “ Houve uma tremenda liberalização financeira e se pensava que o fluxo de capital iria dos países ricos aos pobres, mas ocorreu o contrário", citou ainda, “A desigualdade na renda per capita aumentou em vários países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) durante essas duas décadas, o que sugere que a desregulação dos mercados teve como resultado uma maior concentração do poder econômico”.
Concluo esta resenha temática com a percepção de que a Globalização em relação à Saúde é boa, porém somente a alguns, pois os “outros” quiçá ouviam falar dela. Ela fora ao longo das últimas décadas o fator que desencadeou e acentuou grandes desigualdades sociais e concentração de poder econômico. Encerro com um trecho da música Nos Barracos da Cidade de Gilberto Gil de 1985:

“Os lucros são muito grandes e ninguém quer abrir mão
E mesmo uma pequena parte já seria a solução
Mas a usura dessa gente já virou um aleijão

Gente estúpida!
Gente hipócrita!”
  


                          
Referências Bibliográficas

BAUDOT, Jacques. Flat World, Big Gaps. Zed Books Ltd. 2007
BAUMAN, Zygmunt. Globalização: As conseqüências humanas. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor. 1999.
BERLINGUER, Giovanni. do artigo Globalização e saúde global. Scielo. 1999
BUSS, Paulo Marchiori. Do artigo Globalização, pobreza e saúde. Ciênc. Saúde Coletiva. Scielo. Vol.12. nº6. Rio de Janeiro. Nov./Dec. 2007

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização, do pensamento único à consciência universal. 6ª edição. Editora Record. Rio de Janeiro.  2001

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Protagonismo!

Este vídeo ilustra quando um simples gesto(aos nossos olhos), pode impactar de forma impressionante outros tantos, portanto acredito que há muita semelhança com a Saúde Coletiva, com a figura do sanitarista. Sejamos, portanto, os protagonistas e saiamos da zona de conforto,  coloquemos a mão no bolso(nossos saberes) e lancemos moedas na cartola(sistema de saúde).
Vejamos a partir deste gesto quais serão as conquistas aos cidadãos, acredito, pois, que ouvirão música de boa qualidade! 








domingo, 13 de outubro de 2013

Consumo Sustentável

http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/publicacao8.pdf



Cidadania e Consumo Sustentável
Nossas escolhas fazem a diferença


“ O aumento no consumo de energia, água,minerais e elementos da biodiversidade vem causando sérios problemas ambientais, como a poluição da água e do ar, a contaminação e o desgaste do solo, o desaparecimento de espécies animais e vegetais e as mudanças climáticas. Para tentar enfrentar estes problemas surgiram muitas propostas de políticas ambientais, como consumo verde, consciente, ético, responsável ou sustentável. Mas o que significa estas expressões? E o que elas têm a ver com o tema cidadania? ” ¹

Inicio primeiramente conceituando consumo, consumismo, consumo sustentável e cidadania, a fim de estabelecer suas diferenças e por fim sua relação.
Consumo² significa compra e venda de produtos, o que se gasta, ingestão, utilização, gasto, uso, emprego. Consumismo³ significa consumo exagerado e supérfluo de bens. Consumo Sustentável4  envolve a escolha de produtos que utilizaram menos recursos naturais em sua produção, que garantiram o emprego decente aos que os produziram, e que serão facilmente reaproveitados ou reciclados. Significa comprar aquilo que é realmente necessário, estendendo a vida útil dos produtos tanto quanto possível. Cidadania5 - o termo cidadania tem origem etimológica no latim civitas, que significa "cidade". Estabelece um estatuto de pertencimento de um indivíduo a uma comunidade politicamente articulada – um país – e que lhe atribui um conjunto de direitos e obrigações, sob vigência de uma constituição. Ao contrário dos direitos humanos – que tendem à universalidade dos direitos do ser humano na sua dignidade –, a cidadania moderna, embora influenciada por aquelas concepções mais antigas, possui um caráter próprio e possui duas categorias: formal e substantiva.
A partir destes conceitos e observando o conjunto de informações contidas tanto na cartilha sobre consumo sustentável, quanto nos relatos trazidos pelos participantes dos fóruns, observo a transformação e inversão no consumo dos bens, que num determinado momento eram de subsistência, ou seja,  para manutenção básica das necessidades diárias e em outro, na atualidade, torna-se um consumo voraz de coisas que não precisamos( por necessidade básica ) banalizando esta prática mercantil. Este consumismo vai muito além do ato de comprar  supérfluos, pois ele é excludente, estratificador e gerador de desigualdades sociais quase sem precedentes históricos. A sociedade de consumo impulsiona os indivíduos a comprarem mais e mais com pretextos de aceitação e inclusão nos mais diversos grupos sociais. Para suprir esta demanda crescente de consumo, a indústria investe cada vez mais em tecnologias para produção de produtos em massa, ou posso dizer de massa, pois o objetivo dela é vender o máximo possível, e estes produtos tem, quase que obrigatoriamente, terem seus prazos de validade breves, a fim de que a sociedade tenha a necessidade de substituí-los com brevidade. Para que seja produzido um volume tão alto de produtos (des)necessários à população,estamos todos pagando um altíssimo preço, pois estão sendo devastadas áreas enormes de floresta, águas, ar e solo  estão sendo poluídos e principalmente os recursos naturais renováveis que estão sendo explorados à exaustão. Diante deste cenário surge um conjunto de possibilidades de mudança e entre elas figura de forma “avant garde” o consumo sustentável, ele é a grande diferença entre consumir de forma supérflua e consumir de forma consciente, esta consciência transita pelo ato do cidadão consumir, pela forma que o produto foi manufaturado, pela extração da matéria prima, pela veiculação na mídia ou seja, estão todos inseridos neste processo, os agentes diretos e indiretos.

Quando se faz a relação entre consumo consciente ou sustentável e cidadania, obtém-se um agente vital, a sociedade civil. Este ator é o responsável pela mudança, pois dele emana a necessidade de transformações, quer seja manifestando seus anseios nas ruas, quer seja pressionando instituições governamentais ou privadas. Acredito que a participação social além de um direito, é um dever de cada cidadão. Podemos perceber que ao longo da nossa história esta participação foi sendo “aprimorada” e “ sistematizada” afim de que realmente fosse existente.

¹ Consumo Sustentável, Manual de Educação – pg 14
² Definição pelo Dicionário da Língua Portuguesa Houaiss - 2009
³ Definição pelo Dicionário da Língua Portuguesa Houaiss – 2009
4 Ministério do Meio Ambiente http://www.mma.gov.br



quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

II ENESC

Na semana de 10 a 14 de novembro de 2012, no parque exposições Assis Brasil em Esteio/RS,   ocorreu o II ENESC - 2º Encontro Nacional do Estudantes de Saúde Coletiva. O evento teve a participação de discentes de todas as regiões do país onde há o curso de saúde coletiva. Houveram vivências em diversos campos fora do local do evento: áreas  quilombolas, área de ocupação rural e urbana, mostras de cinema com posteriores debates. Tive o privilégio de ser monitor em algumas desta vivências onde houveram trocas de saberes entre os participantes, haja visto a especificidades regionais próprias de um país continental como o Brasil. Fomos eleitos pelos presentes, eu (UFRGS) e Juliana Porto (UFRGS), como membros da CONESC - Coordenação Nacional do Estudantes de Saúde Coletiva.
Acredito que encontros como este sejam de vital importância, tanto para a divulgação das informações de cada universidade, quanto para o fortalecimento do Sanitarista junto à sociedade e órgãos governamentais.









Monitores em frente ao QG

Componentes da Chapa Saúde pra Quem? CONESC 2012 - 2013





Tutoria I



Avaliação nas Tutorias e dos Portifólios


Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia - saberes necessários à prática educativa. 6ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 1997. P.85-86

A partir do artigo Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível, Paulo Freire traz uma reflexão acerca das possibilidades do ato de ensinar. Propõe que não basta ser expectador da história, mas ser protagonista dela, sujeito atuante e transformador, estar inserido no contexto de forma a fazer parte dele, para a partir deste acúmulo de saber, torná-lo aplicável de forma objetiva com intuito de propor mudanças. Este é o objetivo de ensinar, pois não basta a adaptação, é preciso inovar e criar possibilidades que sejam inteligíveis. Percebo uma similaridade muito próxima com a saúde, pois é preciso que respeitemos as singularidades nela existentes, observando e criando novas práticas. Quando se fala em educação na saúde é preciso que se dialogue dentro desta lógica, haja visto as implicações diretas existentes com problemas de distanciamentos de informação que vão desde a relação trabalhador em saúde-usuário à gestão da saúde-comunidade.


Se não é esta educação que queremos, então respeitemos a individualidade, e vamos à mudança...

UPP Saúde, Sociedade e Humanidades


Nesta UPP tive aulas com as professoras Eliziane, Marta Julia, Mitieli e professor Luiz Henrique, foram abordados diversos temas transversais, saúde, cultura, gênero, sociedade... 
A UPP Saúde, Sociedade e Humanidades traz ao entendimento uma riqueza de elementos, que passam rotineiramente por nós sem que os percebamos, nos propõe que sejamos observadores da sociedade a partir do lugar em que estamos nela inseridos como sujeitos atuantes. O fórum sobre alteridade teve participação e contribuição de todos os discentes desta UPP, é mais ou menos como dizem Os Titãs:

"Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte"

...sim, nós queríamos saber mais e mais. Para muitos alteridade era uma palavra desconhecida. 


Medicamento e Cultura





UPP Saúde, Sociedade e Humanidades/UPP Pesquisa em Saúde e Bioestatística
Profas. Tatiana Engel Gerhardt e Marta Julia Marques Lopes - 2012/2
Graduando Claiton A. R. Santos – 218426

Dez/2012

PROPOSIÇÃO AVALIATIVA INTEGRADORA
SITUAÇÃO DE VIDA E SAÚDE I
ANÁLISE SITUACIONAL E IDENTIFICAÇÃO DE PROBLEMAS


1. Escolher um tema/problema/questão de sociedade relativo a saúde que intriga, interessa, causa desconforto...

Erros de enfermagem dentro de Instituições Hospitalares.

2. Sem conhecer cientificamente esse tema/problema/questão, escreva sobre o seu conhecimento e suas impressões sobre ele. O que conheces sobre ele?

Percebo um apelo midiático em relação aos erros de enfermagem, que tem acontecido nos últimos 5 anos, parece que os profissionais da enfermagem estão mais displicentes em relação aos pacientes que necessitam de cuidado, ou menos preparados.

3. Realize uma revisão de literatura sobre o tema e escreva novamente, tentando elaborar uma situação-problema.

Abaixo anexo uma nota oficial do COREN-RS referente a um erro acontecido recentemente no Hospital São Vicente de Paula na cidade de Osório-RS, publicada em 16/11/2012, em seu portal e em redes sociais, e também um artigo extraído da BVS.
Pesquisei junto aos sindicatos profissionais, SINDISAÚDE-RS, que representa os auxiliares e técnicos de enfermagem e SERGS que representa os enfermeiros. Em ambos constatei pontos de convergência referente a sobrecarga de trabalho. Há profissionais com jornada de trabalho dupla e até tripla, ocasionado pelos baixos salários pagos pelas instituições o que causa uma jornada estressante, possibilitando o erro. Outro ponto comum foi a formação prévia, tanto em nível técnico, quanto em nível superior, a mesma parece ser deficitária. Também foram apontados problemas organizacionais e de gestão nas instituições. O tema em questão é o erro cometido pelos profissionais de enfermagem, não há como negá-lo, ele é um fato, porém os motivos que levam a ele devem ser mensurado, relativizado. Penso que o patamar onde é posto o profissional de enfermagem quando comete o erro é o mesmo que o acusado a espera do algoz, que no caso é própria mídia e opinião pública.

CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO RIO GRANDE DO SUL
Autarquia Federal – Lei n° 5.905/73

NOTA OFICIAL

Em relação aos fatos noticiados pela imprensa, envolvendo suposto erro cometido por profissional de Enfermagem, ainda em estágio probatório, e que teria causado a morte de paciente, o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) está tomando todas as medidas cabíveis, na esfera do Conselho, para a apuração dos fatos e das responsabilidades. O Departamento de Fiscalização do Coren-RS foi informado oficialmente hoje, dia 16 de novembro, através da Enfermeira Responsável Técnica da Associação Beneficente São Vicente de Paulo de Osório, do fato ocorrido no dia 14 de novembro de 2012 e está encaminhando ao município os fiscais do Conselho bem como um Conselheiro Relator para apurar os fatos e os responsáveis.
É essencial que se destaque que tais infortúnios são reflexos de um sistema de saúde deficiente. Os erros são parte de um conjunto de situações que devem ser combatidas como, por exemplo, a falta de qualidade do ensino de enfermagem no Brasil, a excessiva carga horária, os baixos salários e, inclusive, o fato de o poder Judiciário proferir sentenças em desacordo com a legislação do exercício profissional, permitindo que os hospitais não regularizem suas situações. Além disso, por uma decisão da justiça brasileira, os Conselhos de Enfermagem não podem fiscalizar as escolas e cursos superiores de enfermagem no país.
Assim, o não cumprimento da Lei do Exercício Profissional da Enfermagem e das Resoluções do Sistema Cofen/Coren, associados à baixa remuneração e extenuante jornada de trabalho, configuram como desrespeito flagrante ao exercício da enfermagem e impedem que os profissionais executem suas ações com qualidade, responsabilidade e ética.


Enfermeiro Ricardo Rivero
Coren-RS Nº 137638
Presidente


SEDE: PORTO ALEGRE - AV. PLÍNIO BRASIL MILANO, 1155 - CEP 90520-002 - FONE/FAX (51) 3378.5500 - www.portalcoren-rs.gov.

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LILACS









Id:
283068
Autor:
Carvalho, Viviane Tosta de; Cassiani, Silvia Helena De Bortoli.
Título:
Erros na medicaçäo: análise das situaçöes relatadas pelos profissionais de enfermagem / Medication errors: analysis of situations reported by nursing staff
Fonte:
Medicina (Ribeiräo Preto);33(3):322-30, jul.-set. 2000. tab.
Resumo:
Os erros na medicaçäo säo alguns dos indicadores da qualidade de saúde prestada aos pacientes hospitalizados. O objetivo deste estudo foi analisar as situaçöes que conduziram os profissionais de enfermagem aos erros na administraçäo de medicamentos, com base em relatos de erros ocorridos. O local de estudo foi um hospital do interior do Estado de Säo Paulo. Foram entrevistados sete enfermeiros, um técnico de enfermagem e 23 auxiliares de enfermagem do setor de clínica médica do referido hospital. O referencial metodológico adotado foi uma adaptaçäo da técnica do Incidente Crítico. Da análise foram identificadas 56 situaçöes, agrupadas em quatro categorias: falha no cumprimento de políticas e procedimento (25), falha no sistema de distribuiçäo e preparo dos medicamentos pela farmácia (15), falha na comunicaçäo (10) e falha no conhecimento (06). Fornecer um ambiente seguro com disponibilidade de recursos humanos e físicos faz-se necessário para a prevençäo de futuros erros de medicaçäo, assim como investimentos no conhecimento sobre administraçäo de medicamentos aos profissionais de enfermagem, visando a uma assistência de enfermagem com qualidade.(AU)
Descritores:
Limites:
Responsável:
BR26.1 - Biblioteca Central


As sínteses foram outra forma de exercitarmos nossa capacidade de entendimento e organização das ideias principais dos artigos propostos.

1º Síntese



UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SULCURSO DE ANÁLISE DE POLÍTICAS E SISTEMAS DE SAÚDE
EENF 03001
UPP – SAÚDE, SOCIEDADE E HUMANIDADES
Profª Marta Julia Marques Lopes
Módulo Sociologia da Saúde
Claiton Agnaldo Ribeiro Santos – 218426





Helman, Cecil G. – Cultura, Saúde e Doença; trad. Cláudio Buchweitz e Pedro M. Garcez – 4ª Ed. – Porto Alegre – Artimed, 2003



No texto 1, Corpos Individuais e Sociais, do livro supracitado o autor refere-se a dois corpos, um individual, adquirido ao nascer e outro social, que é a essência da imagem corporal. Há uma correlação entres estes corpos, por um lado a sociedade molda os corpos e estes dão “símbolos naturais” para entendamos a sociedade, portanto há uma relação entre corpo e cultura. O conjunto de códigos emanados dos corpos lhes conferem singularidades e consciência dos outros corpos, haja vista que  materializa-se uma compreensão completa da cultura neles existente.
28/11/2012




2ª Síntese


UNIVERSADADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
CURSO ANÁLISE DE POLÍTICAS E SISTEMAS DE SAÚDE
EENF 03001
UPP – SAÚDE, SOCIEDADE E HUMANIDADES I
Profª Marta Julia Marques Lopes
Módulo Sociologia da Saúde
Graduando Claiton Agnaldo Ribeiro Santos – 218426





VILANOVA, Sebastião.  – Introdução à Sociologia – São Paulo – Atlas, 2009




No texto II, Cultura e Necessidades Humanas, e Cultura e Corpo: Um Exemplo, o autor estabelece, num primeiro momento, paralelos entre necessidades naturais, como alimentação, abrigo as intempéries e padrões culturais, que ora são supridas em função da necessidade física, e ora é assimilada por normas culturais sejam por aceitação ou inserção em determinado grupo social, estas normalmente são impositivas,  criam-se códigos que devem ser seguidos e compartilhados. Este conjunto de códigos nem sempre retrata uma real necessidade humana, em certas vezes propõe uma violação da condição humana, exemplo simples e prático disto está estabelecido na alimentação, há alimentos que são consumidos em determinada região e o mesmo é proibido noutra.  Num segundo momento o autor faz referência ao corpo como meio cultural, ou seja ele é um vetor de comunicação, podendo os indivíduos sujeitarem-se até mesmo à “torturas” para que o corpo esteja em conformidade com o padrão pré-estabelecido. 

dez/2012